04 November 2008

2º ESEET defende reforma no ensino profissional




Estudantes de instituições de ensino profissional de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, participaram entre os dias 5 e 7 de setembro, no CEFET-MG, em Belo Horizonte, do 2º Encontro Sudeste de Estudantes de Escolas Técnicas e Tecnológicas – ESEET, com o intuito de debater a situação do ensino profissionalizante e a mobilização do movimento estudantil.

Uma grande questão levantada nos debates foi sobre as perspectivas do trabalho para a juventude no capitalismo. Não existem muitas oportunidades de emprego e o profissional é desvalorizado, recebendo um baixo salário, além de ter que se submeter à exploração dos empresários capitalistas e de suas empresas.

O 2º ESEET foi marcado ainda pela denuncia de que em várias escolas prevalece a repressão ao movimento estudantil. Não são garantidos muitos espaços para discussão desses problemas, e quando os estudantes se organizarem reivindicando melhores condições de ensino ou até mesmo contra as roubalheiras e os desvios de verbas, são duramente perseguidos.

Neste sentido, o 2º ESEET cumpriu um importante papel na organização dos estudantes para a garantia de seus direitos. Esta discussão foi muito pautada durante o encontro pelas entidades organizadoras, a diretoria de Escolas Técnicas da UBES, a AMES-BH, a AERJ e a UMES-Diadema.

Os presentes ressaltaram que só a combatividade levantará o movimento estudantil nas escolas técnicas do sudeste, através de mais grêmios comprometidos com a luta dos estudantes e de uma atuação organizada entre os estados da região e, também, nacionalmente, para lutar em defesa de um ensino técnico e profissional público, gratuito para todos.

No final do encontro, aprovamos a “Carta de Belo Horizonte – Gabriel Pimenta” com as resoluções elaboradas durante os debates.

As principais propostas aprovadas no II ESEET são: criação do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional – FUNDEP; fim das fundações privadas (também chamadas de APM´s e Caixas Escolares) das instituições de ensino; nenhuma cobrança de taxa no ensino profissional; fim das terceirizações; imediata contratação de professores e técnicos administrativos, por meio de concurso; por uma profunda reforma no currículo do ensino profissional; ampliar o currículo em busca de uma educação politécnica, integral, referenciada no trabalho, com orientação para as potencialidades econômicas regionais, voltado para a solução dos problemas sociais e para a soberania nacional e não aos interesses das empresas privadas; por salário, estabilidade e demais direitos garantidos em lei para os estágios; garantia da obrigatoriedade do trabalho da área em que o estagiário está estudando e que as empresas públicas garantam vagas para os estagiários formandos em escolas públicas; imediata reabertura das escolas e dos cursos de magistério e a regularização da lei que garante os estudantes normalistas possam realizar estágio curricular em escolas públicas; gestão democrática, paridade nos conselhos (1/3 de representação dos estudantes); eleições diretas e paritárias para diretores/reitores, sem lista tríplice; dinheiro público para as escolas públicas; pela manutenção da vinculação do Centro Paulo Souza (SP) a Universidade Estadual de São Paulo; luta em defesa das Etec´s paulistas públicas e gratuitas e por uma universidade popular, com o livre acesso às universidades.

Guilherme Silva – Presidente da Ames-BH e militante da UJR