16 October 2009

BNDES anuncia R$ 1 bilhão para faculdades privadas


O Ministério da Educação e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram um protocolo de atuação que promete repassar R$ 1 bilhão para a educação superior privada, verba essa voltada para o financiamento de obras de infra-estrutura e para a “reestruturação financeira” dessas instituições. A medida é resultado do lóbi das faculdades privadas, que, desde fevereiro, pressionam o governo pela liberação da verba, segundo elas “para diminuir os efeitos da crise”. Vale lembrar que, de 2002 a 2008, o ensino privado cresceu 49,9%. Hoje, 88% das vagas abertas no ensino superior são em universidades pagas.

Entretanto, quando se trata de aumentar o orçamento da educação pública, para permitir a contração de mais professores e técnicos administrativos, para a ampliação de vagas, a construção de novos laboratórios, bibliotecas, restaurantes e residências universitárias, o governo diz que não há verbas – ao contrário do que ocorre em relação aos tubarões da educação privada, que contam com todo apoio governamental.


A professora Solange Bretas, secretária-geral do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), em palestra proferida na Universidade Estadual da Paraíba, condenou a medida. “Desde 2004 houve um crescimento assustador do ensino privado no Brasil e praticamente nenhum crescimento do setor público. Isso se deve ao financiamento, com recursos públicos, do ensino pago em detrimento do gratuito. Exemplo disso é que, em 2005, o governo destinou R$ 9,9 bilhões para as Universidades Federais do país, praticamente o mesmo orçamento de 1995, dez anos atrás”, afirmou.

Sandino Patriota, vice-presidente da UNE, também condenou o empréstimo do BNDES. “Esse absurdo precisa de um basta, e só com a luta dos estudantes conseguiremos vencer essa batalha. O movimento estudantil deve reassumir seu papel de luta e combatividade”, disse.

Ainda este ano diversos diretórios centrais dos estudantes (DCEs) realizarão eleições em todo o país. Para Leonardo Péricles, estudante da Universidade Federal de Minas Gerais e diretor de Universidades Publicas da UNE, “as próximas eleições de DCEs são uma grande oportunidade de realizar a mobilização e o debate nas principais universidades do país, dando combate ao divisionismo (que nada constrói na luta dos estudantes) e ao governismo, as duas faces do imobilismo no movimento estudantil”.

Com força renovada, depois da vitoriosa participação no Congresso da UNE, a UJR segue firme e decidida a construir um movimento estudantil combativo e consciente em todo o país. Os diretores indicados pela União da Juventude Rebelião (Sandino Patriota, 1⁰ vice-presidente; Leonardo Péricles, diretor de Universidades Públicas; Tiago Medeiros, vice-presidente PB/RN; Claudiane Lopes, 3ª diretora de Políticas Educacionais, e Alexandre Ferreira, 3⁰ diretor de Assistência Estudantil) estarão, no próximo período, em visita às universidades para organizar debates e mobilizações em defesa da educação pública gratuita e de qualidade.

Rafael Pires, da coordenação da União da Juventude Rebelião
Fonte: Jornal A Verdade nº 109